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	<title>Comentários a: The blood path. Chris Knight&#8217;s myth of origin </title>
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	<description>o quotidiano e a antropologia</description>
	<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 17:01:43 +0000</pubDate>
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		<title>Por: Diogo Duarte</title>
		<link>http://asociedadeprimitiva.wordpress.com/2007/11/29/the-blood-path-chris-knights-myth-of-origin/#comment-20</link>
		<dc:creator>Diogo Duarte</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Nov 2007 01:06:38 +0000</pubDate>
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		<description>Curiosamente, a sociobiologia tem origem numa questão levantada por uma pessoa profundamente ligada a questões políticas opostas às referidas aí no texto: falo 
de Peter Kropotkin. Kropotkin contrariava uma das ideias base do evolucionismo, a da sobrevivência do mais forte, sugerindo que os animais e o homem vivem geralmente em associação e é dessa forma, em grupo, que se defendem contra todas as ameaças e condições desfavoráveis à espécie (esta ideia é defendida no seu livro Mutual Aid). 

Relativamente à questão lançada pelo docente, eu acho que neste momento ninguém nega a dimensão política da antropologia, tanto na sua aplicabilidade, na sua teoria, como na sua história. Seja qual for a vertente pela qual uma pessoa possa enveredar, esta terá sempre uma dimensão política vincada. No entanto, mais do que não negar essa dimensão política, também considero útil ter a coragem de afirmar sem rodeios que a antropologia é, muitas vezes, fazer política. O conhecimento que desenvolve e até o facto de ter sido uma das poucas ciências a estudar diferentes e imensas sociedades, tal como lembra o Graeber, devia ser o mote para uma reflexão sobre muitas questões e problemas contemporâneos, coisa que infelizmente ainda não acontece na medida possível. Acho que isto pode ser possível sem que a antropologia se torne um instrumento político. 
Na realidade, alguns antropólogos mantiveram grandes ligações a discussões políticas do seu tempo, contribuindo inclusive para o desenvolvimento de algumas teorias, muitas vezes a partir do seu trabalho antropológico. Por exemplo Marshall Sahllins e Pierre Clastres que, sem querer, influenciaram bastante o primitivismo ou, por outro lado, a influência que este último teve também para o anarquismo. Marcel Mauss também tem imensos escritos especificamente políticos e o seu Ensaio sobre a Dádiva também tem uma grande importância nesse sentido. O Graeber mais recentemente, etc.
Apesar de não concordar necessariamente que a antropologia deve seguir o caminho que o Graeber propõe, pesquisei bastante sobre as relações antigas e actuais da antropologia com o anarquismo e encontrei alguns antropólogos e trabalhos, a maioria o Graeber não menciona, com ligações a esse pensamento ou que acabaram por o influenciar, uns mais e outros menos. Para além dos nomes acima referidos, há, por exemplo, o trabalho de o Jerome R. Mintz que fez um estudo etno-histórico sobre a população de Casas Viejas na Andaluzia, chamado The Anarchists of Casas Viejas, em que desmonta alguns preconceitos e construções históricas sobre o episódio da insurgência dessa comunidade propostas por alguns intelectuais marxistas, como por exemplo Hobbsbawm, em que sugerem que a influência do anarquismo em Espanha se deveu ao seu subdesenvolvimento, à religiosidade do anarquismo, ou até, em casos mais antigos, a razões genéticas, etc. etc. (o estudo do Mintz acabou por ter alguma influência na antropologia também, nomeadamente no uso das histórias de vida e dos métodos biográficos). E há mais: o antropólogo Harold Barclay escreveu um livro chamado “People without Government: An Anthropology of Anarchy”; o antropólogo Brian Morris, autor de livros como “Anthropology of the Self” ou “Anthropological Studies of Religion”, escreveu um pequeno ensaio chamado “Anthropology and anarchism: their elective affinity”; mais uma imensidão de autores e textos com ligações a esta área, fora os livros que estão na calha, que ainda poderia referir aqui. É um mundo!
Sobre o livro falado no post, fiquei com bastante curiosidade de o ler e acompanharei com regularidade a construção desse dossier.
Parabéns pelo blog!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Curiosamente, a sociobiologia tem origem numa questão levantada por uma pessoa profundamente ligada a questões políticas opostas às referidas aí no texto: falo<br />
de Peter Kropotkin. Kropotkin contrariava uma das ideias base do evolucionismo, a da sobrevivência do mais forte, sugerindo que os animais e o homem vivem geralmente em associação e é dessa forma, em grupo, que se defendem contra todas as ameaças e condições desfavoráveis à espécie (esta ideia é defendida no seu livro Mutual Aid). </p>
<p>Relativamente à questão lançada pelo docente, eu acho que neste momento ninguém nega a dimensão política da antropologia, tanto na sua aplicabilidade, na sua teoria, como na sua história. Seja qual for a vertente pela qual uma pessoa possa enveredar, esta terá sempre uma dimensão política vincada. No entanto, mais do que não negar essa dimensão política, também considero útil ter a coragem de afirmar sem rodeios que a antropologia é, muitas vezes, fazer política. O conhecimento que desenvolve e até o facto de ter sido uma das poucas ciências a estudar diferentes e imensas sociedades, tal como lembra o Graeber, devia ser o mote para uma reflexão sobre muitas questões e problemas contemporâneos, coisa que infelizmente ainda não acontece na medida possível. Acho que isto pode ser possível sem que a antropologia se torne um instrumento político.<br />
Na realidade, alguns antropólogos mantiveram grandes ligações a discussões políticas do seu tempo, contribuindo inclusive para o desenvolvimento de algumas teorias, muitas vezes a partir do seu trabalho antropológico. Por exemplo Marshall Sahllins e Pierre Clastres que, sem querer, influenciaram bastante o primitivismo ou, por outro lado, a influência que este último teve também para o anarquismo. Marcel Mauss também tem imensos escritos especificamente políticos e o seu Ensaio sobre a Dádiva também tem uma grande importância nesse sentido. O Graeber mais recentemente, etc.<br />
Apesar de não concordar necessariamente que a antropologia deve seguir o caminho que o Graeber propõe, pesquisei bastante sobre as relações antigas e actuais da antropologia com o anarquismo e encontrei alguns antropólogos e trabalhos, a maioria o Graeber não menciona, com ligações a esse pensamento ou que acabaram por o influenciar, uns mais e outros menos. Para além dos nomes acima referidos, há, por exemplo, o trabalho de o Jerome R. Mintz que fez um estudo etno-histórico sobre a população de Casas Viejas na Andaluzia, chamado The Anarchists of Casas Viejas, em que desmonta alguns preconceitos e construções históricas sobre o episódio da insurgência dessa comunidade propostas por alguns intelectuais marxistas, como por exemplo Hobbsbawm, em que sugerem que a influência do anarquismo em Espanha se deveu ao seu subdesenvolvimento, à religiosidade do anarquismo, ou até, em casos mais antigos, a razões genéticas, etc. etc. (o estudo do Mintz acabou por ter alguma influência na antropologia também, nomeadamente no uso das histórias de vida e dos métodos biográficos). E há mais: o antropólogo Harold Barclay escreveu um livro chamado “People without Government: An Anthropology of Anarchy”; o antropólogo Brian Morris, autor de livros como “Anthropology of the Self” ou “Anthropological Studies of Religion”, escreveu um pequeno ensaio chamado “Anthropology and anarchism: their elective affinity”; mais uma imensidão de autores e textos com ligações a esta área, fora os livros que estão na calha, que ainda poderia referir aqui. É um mundo!<br />
Sobre o livro falado no post, fiquei com bastante curiosidade de o ler e acompanharei com regularidade a construção desse dossier.<br />
Parabéns pelo blog!</p>
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