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	<title>Comentários em: Contra o &#8220;primitivismo&#8221; (de Jonh Zerzan)</title>
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	<description>o quotidiano e a antropologia</description>
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		<title>Por: fcruz</title>
		<link>http://asociedadeprimitiva.wordpress.com/2007/11/23/contra-o-primitivismo-zerzan/#comment-21</link>
		<dc:creator>fcruz</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 13:02:38 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado Digo pelo comentário.
A minha objecção a Zerzan é simples e basicamente aponta contra a sua postura anti-simbólica: é que a construção do seu argumento anti-cultura simbólica acenta numa lógica tipicamente religiosa (&#039;re-ligare&#039;) e, logo, simbólica - i.e. pretende um retorno a qualquer coisa transcendente que obviamente nunca foi; não se conhece &#039;homo&#039; sem cultura simbólica e não é possível pensar nisso sem um enorme esforço simbolizante (no caso, pensar um mundo &quot;onde todos os seres são iguais&quot;). Quando os Mbuti acabam a sua dança de celebração da anti-estrutura (V.W.Turner), que é exactamente isso - uma performance ritual abstracta que os reenvia para um mundo sem abstracções, sem estruturas - dizia eu, finda a sua dança, os Mbuti regressam às suas estruturas familiares, políticas, etc... Da mesma maneira é possível idealizar uma &quot;comunidade primitiva&quot; nos termos que Zerzan quizer apesar de se saber (e Zerzan deve sabe-lo concerteza) que ela é impossível nesses termos, em particular, é impossível uma comunidade sem estrutura e sem cultura simbólica - toda a antropologia duma ponta à outra do seu espectro político-disciplinar confirma isso (até ver, claro). Por outro lado a denúncia que comporta o seu argumento é importante, tão importante que lucraria muito mais se se abstivesse de bric-à-bracs intelectualmente dúbios. Por exemplo, toda a obra de Pierre Clastres, dedicada ao desmantelamento da ideia de inevitabilidade da formação de um locus de poder diferenciado da própria sociedade (um Estado), constroi-se em torno de sociedades altamente ortodoxas na sua estruturação e nas lógicas simbólicas que a acompanham. Mais, essa estruturação tem por base uma dicotomia fundamental (abstracta, simbólica) entre cultura e natureza. É assim no mínimo &quot;batota intelectual&quot; usar a obra de Clastres como referência para uma teoria de uma sociedade sem cultura simbólica em perfeita simbiose ecológica. Uma coisa é uma sociedade estruturada horizontalmente, outra é uma sociedade humana sem cultura - sem cultura não há referentes para &quot;aguentar&quot; as estruturas do social, e é isso (para o bem e para o mal) que diferencia o homo das outras espécies.
Já agora deixo uma referência quanto a uma solução para uma &quot;sociedade sem estado&quot; que não faz tábua-rasa do conhecimento e da lógica simbólica de ser homo.
GAUCHET, Marcel, 1980 (1977), &quot;A dívida do sentido e as razões do Estado&quot; in CLASTRES, GAUCHET, ADLER e LIZOT, &#039;Guerra, Religião, Poder&#039;, Lisboa, Ed.70: 49-89.
Parabéns ao Sismógrafo, tem sido para mim uma óptima fonte de reflexão; ainda guardo alguns posts nos rascunhos que devem directamente a ele à espera de tempo para os fazer sair cá para fora...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado Digo pelo comentário.<br />
A minha objecção a Zerzan é simples e basicamente aponta contra a sua postura anti-simbólica: é que a construção do seu argumento anti-cultura simbólica acenta numa lógica tipicamente religiosa (&#8216;re-ligare&#8217;) e, logo, simbólica &#8211; i.e. pretende um retorno a qualquer coisa transcendente que obviamente nunca foi; não se conhece &#8216;homo&#8217; sem cultura simbólica e não é possível pensar nisso sem um enorme esforço simbolizante (no caso, pensar um mundo &#8220;onde todos os seres são iguais&#8221;). Quando os Mbuti acabam a sua dança de celebração da anti-estrutura (V.W.Turner), que é exactamente isso &#8211; uma performance ritual abstracta que os reenvia para um mundo sem abstracções, sem estruturas &#8211; dizia eu, finda a sua dança, os Mbuti regressam às suas estruturas familiares, políticas, etc&#8230; Da mesma maneira é possível idealizar uma &#8220;comunidade primitiva&#8221; nos termos que Zerzan quizer apesar de se saber (e Zerzan deve sabe-lo concerteza) que ela é impossível nesses termos, em particular, é impossível uma comunidade sem estrutura e sem cultura simbólica &#8211; toda a antropologia duma ponta à outra do seu espectro político-disciplinar confirma isso (até ver, claro). Por outro lado a denúncia que comporta o seu argumento é importante, tão importante que lucraria muito mais se se abstivesse de bric-à-bracs intelectualmente dúbios. Por exemplo, toda a obra de Pierre Clastres, dedicada ao desmantelamento da ideia de inevitabilidade da formação de um locus de poder diferenciado da própria sociedade (um Estado), constroi-se em torno de sociedades altamente ortodoxas na sua estruturação e nas lógicas simbólicas que a acompanham. Mais, essa estruturação tem por base uma dicotomia fundamental (abstracta, simbólica) entre cultura e natureza. É assim no mínimo &#8220;batota intelectual&#8221; usar a obra de Clastres como referência para uma teoria de uma sociedade sem cultura simbólica em perfeita simbiose ecológica. Uma coisa é uma sociedade estruturada horizontalmente, outra é uma sociedade humana sem cultura &#8211; sem cultura não há referentes para &#8220;aguentar&#8221; as estruturas do social, e é isso (para o bem e para o mal) que diferencia o homo das outras espécies.<br />
Já agora deixo uma referência quanto a uma solução para uma &#8220;sociedade sem estado&#8221; que não faz tábua-rasa do conhecimento e da lógica simbólica de ser homo.<br />
GAUCHET, Marcel, 1980 (1977), &#8220;A dívida do sentido e as razões do Estado&#8221; in CLASTRES, GAUCHET, ADLER e LIZOT, &#8216;Guerra, Religião, Poder&#8217;, Lisboa, Ed.70: 49-89.<br />
Parabéns ao Sismógrafo, tem sido para mim uma óptima fonte de reflexão; ainda guardo alguns posts nos rascunhos que devem directamente a ele à espera de tempo para os fazer sair cá para fora&#8230;</p>
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		<title>Por: Diogo Duarte</title>
		<link>http://asociedadeprimitiva.wordpress.com/2007/11/23/contra-o-primitivismo-zerzan/#comment-19</link>
		<dc:creator>Diogo Duarte</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Nov 2007 23:52:58 +0000</pubDate>
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		<description>Também eu ainda só tive oportunidade de ler o livro na diagonal, apesar de ter já ter lido há algum tempo outros &quot;clássicos&quot; do primitivismo, entre eles o famoso manifesto do Unabomber. Relativamente a este livro do Zerzan, de quem também só conheço alguns pequenos textos, acho que merece uma leitura pela sua peculiaridade e até pela influência que o primitivismo vai adquirindo nos Estados Unidos. No entanto, tal como já sugere aqui no texto, acho que as suas propostas por vezes são tão absurdas ou, digamos, tão &quot;estranhas&quot; que eu fico com sérias dúvidas de que ele acredite mesmo no que escreve. Mas também julgo que é desse choque que as suas ideias causam que podem surgir novas questões. 
Veremos, quando tiver uma leitura mais aprofundada sobre o assunto poderei verificar se isso se confirma ou não.
Já agora, obrigado pela visita!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Também eu ainda só tive oportunidade de ler o livro na diagonal, apesar de ter já ter lido há algum tempo outros &#8220;clássicos&#8221; do primitivismo, entre eles o famoso manifesto do Unabomber. Relativamente a este livro do Zerzan, de quem também só conheço alguns pequenos textos, acho que merece uma leitura pela sua peculiaridade e até pela influência que o primitivismo vai adquirindo nos Estados Unidos. No entanto, tal como já sugere aqui no texto, acho que as suas propostas por vezes são tão absurdas ou, digamos, tão &#8220;estranhas&#8221; que eu fico com sérias dúvidas de que ele acredite mesmo no que escreve. Mas também julgo que é desse choque que as suas ideias causam que podem surgir novas questões.<br />
Veremos, quando tiver uma leitura mais aprofundada sobre o assunto poderei verificar se isso se confirma ou não.<br />
Já agora, obrigado pela visita!</p>
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