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	<title>Comentários a: Contra o &#8220;primitivismo&#8221; (de Jonh Zerzan) </title>
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	<description>o quotidiano e a antropologia</description>
	<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 17:06:00 +0000</pubDate>
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		<title>Por: fcruz</title>
		<link>http://asociedadeprimitiva.wordpress.com/2007/11/23/contra-o-primitivismo-zerzan/#comment-21</link>
		<dc:creator>fcruz</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 13:02:38 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado Digo pelo comentário.
A minha objecção a Zerzan é simples e basicamente aponta contra a sua postura anti-simbólica: é que a construção do seu argumento anti-cultura simbólica acenta numa lógica tipicamente religiosa ('re-ligare') e, logo, simbólica - i.e. pretende um retorno a qualquer coisa transcendente que obviamente nunca foi; não se conhece 'homo' sem cultura simbólica e não é possível pensar nisso sem um enorme esforço simbolizante (no caso, pensar um mundo "onde todos os seres são iguais"). Quando os Mbuti acabam a sua dança de celebração da anti-estrutura (V.W.Turner), que é exactamente isso - uma performance ritual abstracta que os reenvia para um mundo sem abstracções, sem estruturas - dizia eu, finda a sua dança, os Mbuti regressam às suas estruturas familiares, políticas, etc... Da mesma maneira é possível idealizar uma "comunidade primitiva" nos termos que Zerzan quizer apesar de se saber (e Zerzan deve sabe-lo concerteza) que ela é impossível nesses termos, em particular, é impossível uma comunidade sem estrutura e sem cultura simbólica - toda a antropologia duma ponta à outra do seu espectro político-disciplinar confirma isso (até ver, claro). Por outro lado a denúncia que comporta o seu argumento é importante, tão importante que lucraria muito mais se se abstivesse de bric-à-bracs intelectualmente dúbios. Por exemplo, toda a obra de Pierre Clastres, dedicada ao desmantelamento da ideia de inevitabilidade da formação de um locus de poder diferenciado da própria sociedade (um Estado), constroi-se em torno de sociedades altamente ortodoxas na sua estruturação e nas lógicas simbólicas que a acompanham. Mais, essa estruturação tem por base uma dicotomia fundamental (abstracta, simbólica) entre cultura e natureza. É assim no mínimo "batota intelectual" usar a obra de Clastres como referência para uma teoria de uma sociedade sem cultura simbólica em perfeita simbiose ecológica. Uma coisa é uma sociedade estruturada horizontalmente, outra é uma sociedade humana sem cultura - sem cultura não há referentes para "aguentar" as estruturas do social, e é isso (para o bem e para o mal) que diferencia o homo das outras espécies.
Já agora deixo uma referência quanto a uma solução para uma "sociedade sem estado" que não faz tábua-rasa do conhecimento e da lógica simbólica de ser homo.
GAUCHET, Marcel, 1980 (1977), "A dívida do sentido e as razões do Estado" in CLASTRES, GAUCHET, ADLER e LIZOT, 'Guerra, Religião, Poder', Lisboa, Ed.70: 49-89.
Parabéns ao Sismógrafo, tem sido para mim uma óptima fonte de reflexão; ainda guardo alguns posts nos rascunhos que devem directamente a ele à espera de tempo para os fazer sair cá para fora...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado Digo pelo comentário.<br />
A minha objecção a Zerzan é simples e basicamente aponta contra a sua postura anti-simbólica: é que a construção do seu argumento anti-cultura simbólica acenta numa lógica tipicamente religiosa (&#8217;re-ligare&#8217;) e, logo, simbólica - i.e. pretende um retorno a qualquer coisa transcendente que obviamente nunca foi; não se conhece &#8216;homo&#8217; sem cultura simbólica e não é possível pensar nisso sem um enorme esforço simbolizante (no caso, pensar um mundo &#8220;onde todos os seres são iguais&#8221;). Quando os Mbuti acabam a sua dança de celebração da anti-estrutura (V.W.Turner), que é exactamente isso - uma performance ritual abstracta que os reenvia para um mundo sem abstracções, sem estruturas - dizia eu, finda a sua dança, os Mbuti regressam às suas estruturas familiares, políticas, etc&#8230; Da mesma maneira é possível idealizar uma &#8220;comunidade primitiva&#8221; nos termos que Zerzan quizer apesar de se saber (e Zerzan deve sabe-lo concerteza) que ela é impossível nesses termos, em particular, é impossível uma comunidade sem estrutura e sem cultura simbólica - toda a antropologia duma ponta à outra do seu espectro político-disciplinar confirma isso (até ver, claro). Por outro lado a denúncia que comporta o seu argumento é importante, tão importante que lucraria muito mais se se abstivesse de bric-à-bracs intelectualmente dúbios. Por exemplo, toda a obra de Pierre Clastres, dedicada ao desmantelamento da ideia de inevitabilidade da formação de um locus de poder diferenciado da própria sociedade (um Estado), constroi-se em torno de sociedades altamente ortodoxas na sua estruturação e nas lógicas simbólicas que a acompanham. Mais, essa estruturação tem por base uma dicotomia fundamental (abstracta, simbólica) entre cultura e natureza. É assim no mínimo &#8220;batota intelectual&#8221; usar a obra de Clastres como referência para uma teoria de uma sociedade sem cultura simbólica em perfeita simbiose ecológica. Uma coisa é uma sociedade estruturada horizontalmente, outra é uma sociedade humana sem cultura - sem cultura não há referentes para &#8220;aguentar&#8221; as estruturas do social, e é isso (para o bem e para o mal) que diferencia o homo das outras espécies.<br />
Já agora deixo uma referência quanto a uma solução para uma &#8220;sociedade sem estado&#8221; que não faz tábua-rasa do conhecimento e da lógica simbólica de ser homo.<br />
GAUCHET, Marcel, 1980 (1977), &#8220;A dívida do sentido e as razões do Estado&#8221; in CLASTRES, GAUCHET, ADLER e LIZOT, &#8216;Guerra, Religião, Poder&#8217;, Lisboa, Ed.70: 49-89.<br />
Parabéns ao Sismógrafo, tem sido para mim uma óptima fonte de reflexão; ainda guardo alguns posts nos rascunhos que devem directamente a ele à espera de tempo para os fazer sair cá para fora&#8230;</p>
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		<title>Por: Diogo Duarte</title>
		<link>http://asociedadeprimitiva.wordpress.com/2007/11/23/contra-o-primitivismo-zerzan/#comment-19</link>
		<dc:creator>Diogo Duarte</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Nov 2007 23:52:58 +0000</pubDate>
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		<description>Também eu ainda só tive oportunidade de ler o livro na diagonal, apesar de ter já ter lido há algum tempo outros "clássicos" do primitivismo, entre eles o famoso manifesto do Unabomber. Relativamente a este livro do Zerzan, de quem também só conheço alguns pequenos textos, acho que merece uma leitura pela sua peculiaridade e até pela influência que o primitivismo vai adquirindo nos Estados Unidos. No entanto, tal como já sugere aqui no texto, acho que as suas propostas por vezes são tão absurdas ou, digamos, tão "estranhas" que eu fico com sérias dúvidas de que ele acredite mesmo no que escreve. Mas também julgo que é desse choque que as suas ideias causam que podem surgir novas questões. 
Veremos, quando tiver uma leitura mais aprofundada sobre o assunto poderei verificar se isso se confirma ou não.
Já agora, obrigado pela visita!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Também eu ainda só tive oportunidade de ler o livro na diagonal, apesar de ter já ter lido há algum tempo outros &#8220;clássicos&#8221; do primitivismo, entre eles o famoso manifesto do Unabomber. Relativamente a este livro do Zerzan, de quem também só conheço alguns pequenos textos, acho que merece uma leitura pela sua peculiaridade e até pela influência que o primitivismo vai adquirindo nos Estados Unidos. No entanto, tal como já sugere aqui no texto, acho que as suas propostas por vezes são tão absurdas ou, digamos, tão &#8220;estranhas&#8221; que eu fico com sérias dúvidas de que ele acredite mesmo no que escreve. Mas também julgo que é desse choque que as suas ideias causam que podem surgir novas questões.<br />
Veremos, quando tiver uma leitura mais aprofundada sobre o assunto poderei verificar se isso se confirma ou não.<br />
Já agora, obrigado pela visita!</p>
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